E-CHANGER
Escrito por Administrator   
27-Ago-2007

Sobre E-CHANGER

E-CHANGER é uma ONG suíça de cooperação internacional que existe há mais de 40 anos. Através de intercâmbio de pessoas, ela quer estabelecer relações de troca e de solidariedade entre sociedades civis organizadas do Norte e do sul no mundo “globalizado”.

Atualmente, E-CHANGER tem voluntários/as inseridos/as em 10 países da África e da América Latina, sendo o Brasil um dos pólos prioritários de sua atuação.

Objetivos

-Promover as iniciativas locais de luta contra injustiças e de promoção comunitárias sem nunca substituir as responsabilidades dos governos locais;

-Apoiar prioritariamente os setores populares em marcha rumo ao bem-estar e a autonomia, evitando a transferência "norte-centrista" e valorizando o ponto de vista dos/das oprimidos/as;

-Fortalecer a sociedade civil e a responsabilidade dos/das cidadãos/ãs para favorecer a democracia participativa;

-Desenvolver as redes de intercâmbio de experiências, de conhecimento e, para isso, criar pontes de contato intercultural no respeito à identidade de cada povo;

-Estar aberto de forma respeitosa à dimensão espiritual e religiosa das pessoas e culturas.

A carta de princípios do movimento E-CHANGER

No mesmo tempo em que vivemos uma intensa dinâmica no sentido de construir na CoAr e no Programa Brasil ferramentas adequadas para estabelecer formas inovadoras de parcerias de intercâmbio, buscando construir sinergias no processo de transformação a partir da luta de nossos parceiros, também E-CHANGER, na Suíça, enquanto movimento único dentro de Unité que continuou apostando em sua presença no Brasil, passou por um importante momento de reorientação de sua identidade reforçando ainda mais o seu compromisso com as lutas populares no Sul. A carta de princípios adotada a partir de 1997 mostra este passo na caminhada. A dinâmica inovadora de vivenciarmos parcerias recíprocas no intercâmbio para a transformação, que estamos vivenciando hoje, é fruto, de um lado, da impressionante efervescência do movimento social brasileiro, e, de outro lado, da coragem e da ousadia de E-CHANGER no sentido de ouvir o grito dos excluídos para dar passos junto com eles.

Um mundo em crise: rumo a uma nova civilização

Nosso planeta – nossa pátria – atravessa uma etapa tanto apaixionante quanto crítica: está em jogo a sobrevivência da humanidade. A vida sofre diversas ameaças:

- No Norte e no Sul cresce o desequilíbrio entre ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres.
Tanto é assim que cabe falar de um verdadeiro “apartheid” social;

- Observamos um auge dos modelos de dominação impostos pelo neoliberalismo ocidental: individualismo, competência sem limites, busca de lucro como lei suprema de uma economia globalizada que escraviza o homem em vez de servi-lo;

- Observamos também um agravamento das diversas formas de discriminação e exclusão (entre sexos, povos, religiões etc.), levando ao aumento da violência, corroendo os direitos humanos fundamentais;

- O desequilíbrio entre a busca de uma maior qualidade de vida para a humanidade e a deterioração do meio ambiente vai crescendo a nível mundial;

- Vemos como a noção de democracia vai se perdendo, usurpada pelo poder econômico e distante de uma verdadeira consciência e participação cidadã;

- Nosso planeta sofre de uma crise do sentido da vida e dos valores necessários para viver em sociedade.

Todos estes sintomas que mostram as chagas de nossa civilização clamam com urgência pela irrupção da esperança e pela instauração de uma nova lógica a nível mundial.

Desde hoje, homens e mulheres, tanto no Norte quanto no Sul, optaram por este caminho: não estão mais dispostos a deixar-se amedrontar pelo medo e pela sensação de impotência, acreditam que transformações são possíveis e buscam os mecanismos necessários para mudar este mundo.

Desde hoje, famílias e comunidades se empenham em construir nas mais diversas formas, graças a relações de solidariedade, o mundo com qual sonhamos.

Juntos se mobilizam para que sua fé no homem e sua vontade de vencer a fatalidade se reflitam em seus atos. Com eles, queremos tomar este caminho rumo a uma nova civilização.

Os valores que nos comprometem

E-CHANGER (E-CH) tem se esforçado para tomar partido de maneira ativa neste movimento que vai contra as correntes. Por isso, se baseia em um conjunto de valores e uma consciência aprofundada pela experiência dos voluntários que se renova a partir do intercâmbio com os parceiros locais do Sul:

- Em um planeta onde tudo está se globalizando, cremos na unidade da humanidade e na solidariedade dos povos unidos pelo destino comum. Nosso planeta é um só e pertence a todos: cada ser humano é um cidadão e cada povo é participante do mundo.

- Os recursos de nossa terra são limitados e devem ser preservados para as próximas gerações. Este respeito à vida é um compromisso pessoal e coletivo a nível de proteção do meio ambiente.

- Devemos considerar a pessoa humana em sua totalidade. O “desenvolvimento” é muito mais que um crescimento econômico e técnico: busca dar vida ao ser humano, de pé, consciente de sua dignidade e livre de conhecer, criar e amar. Por isso, queremos promover com paixão os valores de respeito incondicional da pessoa, da justiça e da equidade para todos, de solidariedade em compartilhar e reciprocidade no intercâmbio. Isso só será possível se estabelecermos laços de fraternidade entre todos.

- Devemos respeitar a liberdade de cada grupo humano de desenvolver sua cultura e sua maneira de vida econômica e social, sem depender de modelos impostos de fora. O Ocidente não possui uma verdade superior a dos demais, e precisa abandonar, constantemente, a sua perspectiva de excluir todo tipo de proselitismo de caráter ideológico, tecnológico e religioso que não respeita aos demais.

- É imprescindível desenvolver redes de intercâmbio de experiências e conhecimentos e criar pontes de intercâmbio cultural no respeito às identidades e à diversidade.

- Devemos promover a responsabilidade pessoal e a corresponsabilidade de todos na busca de um bem estar comum. Cada um de nós é sujeito e ator de seu desenvolvimento e compartilha a responsabilidade do progresso do mundo. Para isso, devemos inverter a nossa perspectiva habitual: o ponto de vista dos mais desfavorecidos, dos oprimidos e dos excluídos deve ser tomado como base de nossa reflexão e ação.

- É crucial despertar a consciência cidadã e a participação de todos na construção democrática da sociedade civil e dar nosso apoio aos atores da transformação.

- A experiência histórica de E-CHANGER e o encontro com os povos do Sul nos ensinaram também a importância de abrir-se com respeito à dimensão espiritual e religiosa das pessoas e das culturas. Cada um deve sentir-se livre de expressar suas convicções e vivê-las sem sentir-se superior aos demais, no respeito total a seus valores espirituais.

- E-CHANGER, no entanto, continua fortemente impregnado pela referência cristã, que desempenhou um papel primordial nos primeiros anos de nosso movimento, mesmo que, hoje, boa parte de seus voluntários assumem seu compromisso em nome dos mesmos valores, sem estar, necessariamente, ligado a uma Igreja. Mas, concretamente, E-CHANGER responde ao chamado do Evangelho do amor, da fraternidade universal de todos os seres humanos e da opção preferencial pelos pobres e oprimidos.

Nosso projeto

Baseando-se nestas convicções, E-CHANGER se define da seguinte maneira em seus estatutos (Art. 2º):

“Baseando-se no intercâmbio e na reciprocidade Norte-Sul e na referência aos valores cristãos, o movimento E-CHANGER tem como objetivo promover a solidariedade, a participação e a justiça entre os povos, assumindo uma opção preferencial frente às comunidades mais desfavorecidas. E-CHANGER apoia o processo de autodeterminação destas comunidades no respeito aos direitos humanos fundamentais e ao meio ambiente. E-CHANGER se esforça para conseguir estes objetivos através de duas estratégias fundamentais e complementares:

A – O envio de voluntários a projetos de cooperação (busca, capacitação, seleção e acompanhamento).
B – O compromisso na Suíça.”

O compromisso de E-CHANGER com seus parceiros locais do Sul tem como objetivo primoridial a valorização das iniciativas locais de supressão das injustiças e de promoção comunitária. Sua presença e ação concreta ao lado dos mais desfavorecidos e de quem os apoia se orienta pelos critérios seguintes:

- Considerar antes de mais nada as expectativas, os recursos e o dinamismo locais;

- Dar prioridade aos setores populares na marcha rumo ao bem estar econômico e a autonomia;

- Fortalecer as organizações locais que representam as comunidades e que são capazes de dinamizá-las;

- Promover as iniciativas locais sem tirar a responsabilidade dos governos locais;

- Compartilhar de certa maneira as condições materiais das comunidades;

- O papel primordial do voluntário é o de promover a abertura, o aprendizado e a multiplicação dos conhecimentos e experiências dos parceiros locais, mediante atividades de animação, de assessoria, de comunicação e formação.

- É antes de mais nada um laço entre os parceiros do Norte e do Sul e contribui para a autonomia e autodeterminação da população.

E-CHANGER é um movimento enraizado na sociedade suíça de língua francesa: graças a seus membros ativos e a suas relações com os parceiros do Sul, tem a sorte de viver uma descentralização cultural e um compromisso constante com a realidade contemporânea.

No espírito da coerência e da honradez, E-CHANGER quer fomentar, através dos apoios que oferece ao Sul, as transformações necessárias em nosso país. Em particular, chama a todos os seus membros a comprometer-se em primeiro lugar em seu contexto, e os voluntários que retornam a investir na sociedade civil o capital de experiência e de conscientização adquirido durante a sua missão no Sul.

E-CHANGER mantém uma relação de parceiro crítico com a cooperação oficial suíça. Nosso movimento evolui constantemente e se preocupa em autoavaliar de forma permanente as suas opções e a sua ação sem medo de questionar-se.

Em conclusão:

E-CHANGER propõe a toda pessoa motivada
uma possibilidade de compromisso,
uma tomada de responsabilidade cidadã para fazer frente à crise planetária,
um apoio concreto a iniciativas locais de promoção coletiva no Sul,
com toda riqueza humana que supõe o encontro e o intercâmbio intercultural.



Adotada pela Assembléia Geral de E-CHANGER,
Le Bouveret – Suíça, 8 de junho de 1997

Atualizado em ( 02-Out-2007 )